Darcy Ribeiro graduou-se em Etnologia pela Escola Livre de Sociologia e Política de São Paulo em 1944. Sua entrada nessa escola se deu a partir de sugestão do sociólogo Donald Pierson, que conheceu quando ainda cursava a faculdade de Medicina de Belo Horizonte. Pierson fora convidado para proferir uma palestra nessa universidade e lá travou contato com Darcy Ribeiro, a quem ofereceu uma bolsa de estudos para projeto sobre pensamento social brasileiro. 

O antropólogo alemão Herbert Baldus foi outra influência importante para a formação intelectual de Darcy Ribeiro na Escola Livre. Além de professor de Etnologia Brasileira, era diretor da seção etnológica da revista Sociologia, do Museu Paulista.  

 

 
 

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

 

Baldus orientou os estudos etnológicos de Darcy Ribeiro e indicou seu nome ao Marechal Rondon, então presidente do Conselho Nacional de Proteção ao Índio, para ocupar a vaga de etnológo neste órgão. O pioneirismo de Rondon no tratamento dispensado aos índios - que se desdobrou tanto no respeito às culturas indígenas quanto no aparelhamento do Estado brasileiro com objetivo de protegê-las, despertava não apenas a admiração de Darcy, mas também seu desejo e até mesmo a necessidade de contribuir para a consecução de tão nobre e urgente objetivo.  Rondon, nas palavras de Darcy, “não só afirmara o direito dos índios serem e continuarem sendo índios, mas criava todo um serviço, integrado por jovens oficiais, dedicado à localização e pacificação das tribos arredias e à proteção dos antigos grupos indígenas dispersos por todo o país” (Ribeiro, 1997, p. 152).

 

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
   
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

 

Junto aos grupos indígenas que pesquisou – Bororo, Xokleng, Kaiowá, Terena, Ofaié, Guarani e, principalmente, Kadiwéu e Kaapor, com quem conviveu mais intensamente – Darcy buscava, sempre, segundo suas próprias palavras, “documentar suas culturas originais antes que desaparecessem e entender o processo de aculturação a que eles eram submetidos” (id. p.157). Como fruto desse trabalho, além de numerosos artigos, destacam-se os livros Religião e Mitologia Kadiwéu (1950), vencedor do Prêmio Fábio Prado de Ensaios; Arte Plumária dos Índios Kaapor, escrito em parceria com sua então esposa, a antropóloga Berta G. Ribeiro; e Diários Índios – Os Urubus-Kaapor (1996), edição sem retoques dos diários de campo, compostos entre 1949 e 1951, escritos em forma de carta a Berta; Uirá sai à procura de Deus –Ensaios de Etnologia e Indigenismo (1970), obra adaptada para o cinema por Gustavo Dahl.