O CIEP é uma nova instituição que surge, questionando, por dentro, esta realidade social injusta, desumana e impatriótica. Estas novas escolas proporcionarão às nossas crianças alimentação completa, aulas, a segunda professora que os pobres nunca tiveram, esporte, lazer, material escolar, assistência médica e dentária. Depois de permanecer todo o dia no colégio, volta, de banho tomado para o carinho da família.
Leonel Brizola. Apresentação. O Livro dos CIEPs,1986.
O que chamamos de menor abandonado e delinquente é tão somente uma criança desescolarizada, ou que só conta com uma escola de turnos.
Darcy Ribeiro. O novo livro dos CIEPs, 1995.
Ao completar 40 anos da inauguração do primeiro Centro Integrado de Educação Pública (CIEP) no Rio de Janeiro, por Darcy Ribeiro, Leonel Brizola e Oscar Niemeyer, vale lembrar com que objetivo pensaram esta escola: oferecer condições para que as crianças das classes populares se tornassem brasileiras do século XXI, ou seja, que tivessem acesso a todo acervo cultural necessário para se identificar com sua pátria e para utilizar e usufruir do conhecimento e da tecnologia disponível na sociedade do 3º. milênio, sem perder sua identidade com a cultura local.
Era necessário que a criança se sentisse como se a escola fosse a sua casa, acrescida de tudo aquilo a que ela tem direito e que, infelizmente, ainda falta no seu lar. Da mesma forma que as crianças de classe média são educadas em tempo integral, através de recursos particulares em diferentes instituições – livros, línguas, filmes, esportes, teatro, artes, reforço escolar – as crianças populares deveriam ter acesso a todas essas linguagens/tecnologias – oferecidas a elas coletivamente na escola: livros e publicações diversas na biblioteca; filmes e outros recursos audiovisuais na vídeo-educação; jogos e atividades com o corpo na educação física; expressão artística através de várias linguagens na animação cultural e atendimento mais individualizado no estudo dirigido, seja para esclarecer dúvidas ou para aprofundar curiosidades.
Para isso, esse projeto de escola propunha a permanência dos alunos em tempo integral, de modo que tivessem disponibilidade de horário para usufruir de todos estes recursos, além de oferecer tempo aos professores para organizarem coletivamente a diversidade de atividades de forma integrada ao currículo escolar. Muitos outros aprendizados decorriam da permanência ao longo do dia com colegas, professores e outros profissionais: as práticas de uma alimentação e higiene saudáveis; o tempo livre para brincar e criar; a integração da cultural local comunitária à cultura universal; a identificação da escola como um equipamento cultural a serviço da sua comunidade, daí o cuidado com ela; o reconhecimento da preservação do meio ambiente como benéfico à própria comunidade e à escola. Entre tantas outras práticas…
