A permanência em horário integral exigia que alunos e professores recebessem alimentação adequada e balanceada de acordo com parâmetros nutricionais, para uma vida saudável. O desenvolvimento físico individual dos alunos era acompanhado pelo programa de saúde que contava com profissionais e consultório médico e dentário. Os horários de refeições constituíam momentos importantes de confraternização e de aprendizado de práticas de convívio social e de nutrição saudável.
Assim, construía-se um projeto curricular com aprendizagens em diferentes situações e tempos e em contato com profissionais diversos. Não mais atividades extraclasse. Todas as atividades realizadas eram educativas no sentido amplo da socialização efetivada. Tais atividades exigem espaços apropriados para o aluno vivenciar a liberdade e aprender que as regras são necessárias à convivência respeitosa e solidária.
O CIEP era integrado em dois sentidos: seu projeto desenvolvia uma proposta de currículo integrado e, também, propunha o desenvolvimento de um diálogo constante e transformador com a comunidade na qual se localizava. O projeto pedagógico implicava pensar a escola como polo de dinamização cultural, possibilitando a divulgação e apropriação dos saberes escolares pelos alunos, com abertura para receber e incorporar saberes próprios à comunidade. Assim, convertia-se em lugar de trocas culturais intensas para construção e fortalecimento de identidades sociais e expectativas de futuro.
A expansão e inclusão realizadas pelo CIEP tornavam essa escola complexa e, portanto, desafiadora para administrar. A permanência em dia completo e as múltiplas atividades exigiam, do ponto de vista da gestão, uma organização que possibilitasse que os movimentos das pessoas fossem orientados pelas demandas pedagógicas e de forma respeitosa.
Para que esse processo se efetivasse, era necessário um planejamento integrado. Este deveria ser realizado de forma articulada pelos diferentes profissionais, para que as atividades se relacionassem de forma complementar e dialética, com aprofundamento de questões e ampliação dos enfoques. Assim, compreende-se a escola como espaço de produção de saberes, superação de preconceitos, vivo e dinâmico, no qual alunos e professores são sujeitos e participantes ativos do processo de criação cultural.


