Animação Cultural

No CIEP é impossível pensar a educação dissociada de seu contexto cultural. A cultura é elemento integrador de populações marginalizadas à vida social digna. É um desafio aproximar da escola crianças e adolescentes distantes do sistema formal de ensino. O animador cultural contribui para a escola como espaço democrático, integrando o processo educacional à vida comunitária, reunindo alunos, pais, vizinhos, artistas e professores numa dinâmica que soma igualdade de oportunidades à consciência da desigualdade de condições.

Assim a cultura local, suas manifestações, o fazer da comunidade, seus artistas e seu cotidiano são progressivamente incorporados ao dia a dia da escola. Geralmente vinculado à educação não formal, o artista consegue engajar-se num processo contínuo e diário de educação, trazendo para a escola sua formação pessoal instrumentalizada pela vivência, pela manipulação do real e do imaginário, da emoção e da sensibilidade. O animador utiliza os referenciais culturais mais próximos dos alunos para um diálogo com a cultura universal.

Egresso de grupos de teatro, de música, de poesia, de movimentos ou associações comunitárias, inquieto e instigador, o animador faz emergir no CIEP o tom da comunidade, seja o repentista, a folia de reis, a banda, o grupo de teatro, o sambista, o cordel, criando uma estrada de mão dupla, que favorece a erradicação de preconceitos e possibilita a identificação de valores regionais e universais por parte de alunos e moradores locais. Estes profissionais passavam por um processo de formação em que aprofundavam questões da cultura brasileira e suas diversas formas de expressão, O fortalecimento do intercâmbio do CIEP com a comunidade é favorecido pelas atividades culturais de final de semana, abertas ao público.

Cada CIEP com 18 turmas em tempo integral, contava com três animadores culturais. O processo de seleção, exigia formação mínima de Ensino Médio completo, prática comprovada de alguma linguagem artística e prioridade para artistas residentes em torno do CIEP em que atuaria. Ao final de 1994, mais de 1800 artistas se haviam inscrito para a seleção, dos quais mais de 1100 foram aprovados, chegando a mais de 1000 a exercício efetivo da função. A bolsa que recebiam correspondia ao salário de um servidor público com formação de Ensino Médio. Desde a experiência de Animação Cultural nos CIEPs, esta função entrou para o sistema educacional de ensino no município e estado do Rio de Janeiro.