Nos CIEPs foi criado o Projeto Alunos Residentes que constituiu uma alternativa educacional para evitar a evasão escolar: a construção de residências na própria escola – lugar onde meninos e meninas sem condições de frequentarem a escola poderiam residir, com segurança, em ambiente familiar. Eram duas residências, uma para meninos e outra para meninas, construídas no alto do prédio da biblioteca. Equipadas, elas contavam com uma habitação para os pais sociais e outra para filhos dos casais e alunos-residentes, além de uma sala ampla para convívio de todos. A proposta definia que cada residência abrigasse, temporariamente, até 12 (doze) crianças, com idades entre 6 a 14 anos, em situação de vulnerabilidade social, sendo cuidados por um casal residente.
Os alunos residentes eram matriculados regularmente como alunos do CIEP. Estudavam no horário integral e realizavam todas as atividades da escola, recebendo a mesma assistência dada aos demais alunos do CIEP. Ao final do dia, seguiam para a residência, acolhidos e educados pelo casal social. Nas residências, as crianças e jovens recebiam o estímulo da convivência familiar salutar de um lar. Na rotina do dia a dia, havia a organização e distribuição das tarefas, trato nos cuidados pessoais, e os momentos de lazer. As crianças e jovens com referência familiar saíam aos finais de semana e feriados com os responsáveis, regressando ao CIEP na segunda-feira. Os alunos que não possuíam referência familiar, ou apresentavam algum impedimento social, permaneciam nas residências.
Foram escolhidos para pais sociais Policiais e Bombeiros Militares, com a perspectiva de valorizar as categorias, inserindo–as numa experiência educativa. Os casais sociais passavam por processo seletivo e treinamento, após a aprovação e durante todo o serviço. As mães sociais, durante o dia, ficavam à disposição para atender a qualquer eventualidade referente aos alunos-residentes, e os pais sociais, depois de suas responsabilidades com a corporação, regressavam à moradia.
Com o desmonte de uma proposta educacional, em tempo integral, o projeto foi desativado. No I PEE, o Projeto Alunos Residentes funcionou em 28 (vinte e oito) CIEPs no município do Rio de Janeiro, e em 68 (sessenta e oito) CIEPs, nos demais municípios do estado do Rio de Janeiro. O Projeto foi retomado no II Programa Estadual de Educação – PEE (1991/1994). Para sua operacionalização foram necessários ajustes nas diretrizes iniciais. Os casais remanescentes do I PEE voltaram aos treinamentos e novos casais foram selecionados, aproveitando-se pessoas da sociedade civil. As reuniões de capacitação de casais sociais eram realizadas nos CIEPs, que centralizavam grupos da mesma região.
Nesse período foram criadas equipes para acompanhamento do Projeto, com sistematização da articulação escola/ comunidade, efetivação de reuniões com os responsáveis pelas crianças; e a integração com os Conselhos Tutelares e Juizados da Infância e da Juventude, com base no Estatuto da Criança e do Adolescente (Lei nº 8.069/90) já em vigor. O Projeto atendeu, em 1993, nas residências de 218 (duzentos e dezoito) CIEPs, 4.426 (quatro mil, quatrocentos e vinte e seis) alunos. O Projeto deixou importante legado ao proporcionar o resgate da cidadania, o restabelecimento de vínculos familiares e a escolaridade almejada para muitos jovens.

