A Educação Juvenil destinava-se a atender jovens com idades entre 14 e 22 anos, que haviam deixado de estudar por motivos diversos, em geral relacionados à pobreza e ao fracasso escolar. É importante reconhecer que o sistema de ensino, na maioria das vezes, não foi capaz de alfabetizá-los plenamente. As práticas pedagógicas tradicionais, normalmente pautadas pelos valores das classes dominantes, acabam não contemplando as necessidades das crianças das camadas populares.
Uma das metas da EJ é repensar o relacionamento do aluno do horário noturno com a escola, uma vez que este jovem tem sido encarado de forma preconceituosa e discriminatória, considerado menos capaz. Em lugar de práticas assistencialistas, propõe-se um trabalho que promova a cidadania e fortaleza sua autoestima. Esta prática visa a integração entre o saber universal e científico oferecido pela escola e o conhecimento adquirido na vivência cotidiana das camadas populares, marcado pela luta diária pela sobrevivência.
A Educação Juvenil era organizada em dois blocos. O primeiro, voltado à alfabetização, compreendida como a capacidade do aluno de relacionar texto e contexto. Nesse momento, diferentes áreas do conhecimento são apresentadas de forma introdutória e interdisciplinar. No segundo bloco, o foco passa a ser o aprofundamento nas áreas do conhecimento, que são exploradas em suas especificidades. Cada ciência com seu instrumental favorece a operacionalização dos conceitos e permite que os alunos apliquem o que aprendem em situações cotidianas.
Essa proposta não estabelece um tempo rígido para o alcance dos objetivos de cada bloco. Os alunos têm liberdade para progredir de acordo com seu próprio ritmo de aprendizagem, negando a seriação tradicional e valorizando a individualidade de cada estudante. Esta abordagem diferencia-se das escolas tradicionais ao recusar a avaliação como instrumento de controle. A avaliação é entendida como um momento de reflexão da prática pedagógica, realizada em conjunto entre professor, aluno e comunidade. Um de seus objetivos centrais é estimular o aluno a tomar consciência de si e favorecer a construção de sua identidade. Dessa forma contribui para uma escola mais inclusiva e significativa.