Os Ginásios Públicos (GP) surgiram da necessidade de uma nova concepção de educação, para romper com os insucessos do 2º. Segmento do Ensino Fundamental, que carecia de identidade e apresentava altos índices de evasão e repetência. A proposta dos GPs consistia em reorganizar o Ensino Básico em duas etapas: um ciclo básico (1º ao 5º ano) e os próprios GPs (6º ao 10º ano), garantindo formação integral, desenvolvimento de competências para a cidadania e inserção no mundo do trabalho, ou continuidade em cursos técnicos e universitários. A proposta foi aprovada pelo Conselho Estadual de Educação do Rio de Janeiro para implantação experimental.
De 500 CIEPs, 68 foram destinados à criação dos GPs, implantados entre 1993 e 1994. Esses ginásios ocupavam prédios de CIEPs novos, adaptados para o segmento, com laboratórios de ciências e informática. Esta e Vídeo-educação eram componentes obrigatórios, ainda que a informática tenha sido inviabilizada por falta de equipamentos. A Vídeo-educação buscava formar telespectadores críticos e servir de ferramenta pedagógica.
Os estudantes podiam optar por tempo integral (8 horas diárias) ou parcial. Quando optada, exigia frequência plena dos alunos. A proposta valorizava apropriação dos espaços escolares e oferta de atividades variadas em diferentes ambientes, estimulando circulação e uso coletivo. As aulas e atividades complementares duravam 90 minutos, distribuídas em dois turnos. O horário integral incluía alimentação adequada e a mescla de alunos de tempo integral e parcial nas mesmas turmas, promovendo integração e diversidade.
O sucesso da adesão ao tempo integral se relacionava com a gestão flexível do tempo e a oferta de oficinas, planejadas pelos professores e escolhidas de acordo com o interesse dos estudantes. O Estudo Dirigido (ED) proporcionava orientação para o desenvolvimento de habilidades de estudo, acesso a materiais didáticos e apoio individualizado, fundamental para alunos de contextos pouco favorecidos. Clubes pedagógicos (de leitura, vídeo, línguas estrangeiras, esportes) e oficinas interdisciplinares (artes, produção de textos, confecção de pipas, estudos sobre a comunidade) ampliavam as experiências escolares, favorecendo criatividade e vínculo com a realidade local.
Os professores, selecionados por formação e perfil inovador, assumiam funções de regência, oficinas, orientação de estudos, participação em discussões coletivas e formação continuada. A atualização dos professores ocorria em Centros Tutoriais, tornando a escola inovadora. Neles, professores de GPs próximos se reuniam, organizados por áreas do conhecimento, para formação, planejamento e troca de experiências. Os encontros, em rodízio entre as escolas, incentivavam a criação coletiva de estratégias didáticas e a articulação entre teoria e prática. Cada GP promovia reunião semanal para integração de todos os funcionários e discussão coletiva sobre o trabalho. Animadores culturais, oriundos da própria comunidade, atuavam como ponte entre cultura local e escolar, enriquecendo atividades complementares e contribuindo para a valorização dos saberes regionais.
A experiência dos GPs deixou um legado de inovação e ousadia. Muitas contribuições permanecem atuais a serem resgatadas com as devidas adaptações ao presente. A falta de continuidade impediu a consolidação das ideias e a multiplicação do modelo. Esta divulgação é fundamental para manter viva a memória e inspirar novas práticas educacionais. O breve período de implantação dos GPs – menos de dois anos – foi um fator contrário à construção do reconhecimento público dessas escolas.