ENCONTRO DE MENDES

Quando Leonel Brizola tomou posse como governador do estado do Rio de Janeiro em março de 1983, constituiu imediatamente a Comissão Coordenadora de Educação, presidida por Darcy Ribeiro, com o objetivo de formular a política educacional e colocá-la em execução no estado e no município, para promover a renovação pedagógica e educativa que correspondessem à prioridade atribuída pelo governador à educação popular.

A Comissão lançou o movimento ESCOLA VIVA – VIVA A ESCOLA para mobilizar todo o professorado de Ensino Fundamental do Estado e Município do Rio de Janeiro a discutir a escola em que trabalhavam. Cada professor recebeu pelo correio, em sua residência, uma convocação para participar deste grande anticongresso, como o chamava Darcy Ribeiro, no Jornal Escola Viva – viva a escola. O Jornal publicou, em novembro de 1983, um corpo de teses elaboradas a partir de diretrizes educacionais para consulta aos 52.000 professores do sistema público de Ensino Fundamental, sobre a proposta educacional do governo. 

Na primeira etapa, todas as escolas pararam um dia para discuti-las e elegeram dois representantes cada para a fase regional do Encontro, compondo um fórum de 1000 professores. Na segunda, em 10 encontros em diversas regiões do estado, em discussão de dois dias, cada reunião elegeu 10 representantes, compondo um fórum de 100 professores para o Encontro final ocorrido em Mendes, terceira etapa do debate, nos dias 25 e 26 de novembro de 1983. Com a presença de Darcy Ribeiro e das secretárias de educação Maria Yedda Linhares e Yara Vargas, além de equipes das secretarias de educação e de sindicalistas, as teses foram debatidas pelos 100 professores representantes. Reformuladas, foram publicadas em dezembro de 1983 no Jornal Escola Viva 2 e no fascículo Falas ao Professor, em 1985.

Qual a importância deste encontro? Depois de 21 anos de ditadura, que degradou escolas, salário de professores e descumpriu o direito à educação para todos, reconhecer que qualquer proposta não vingaria se os professores não a abraçassem foi um ato de inteligência e coragem. Há quantos anos o Brasil não reunia profissionais da educação para pensarem a escola, seus alunos e sua função? Que outro governo estadual, no Brasil, teve a ousadia de mobilizar o conjunto de professores para discutirem, discordarem, alterarem as propostas que exibiam, sabendo que despertaria o legítimo clamor desses profissionais pelas condições da educação naquele momento? Palavras de Darcy:
Estamos conscientes que as teses e metas que apresentamos para debate não esgotam a problemática da educação e estão longe de serem verdades acabadas. Nosso objetivo é dar a palavra aos professores e ouvir a voz das pessoas que levam adiante a educação, que são fundamentalmente os professores em regência de turma.