O Estudo Dirigido foi uma das marcas mais importantes da proposta pedagógica dos CIEPs. Atuava como um complemento, um incentivo, um apoio que todas as crianças necessitam, mas que só as das classes privilegiadas recebem de suas famílias, considerando que a maioria das crianças brasileiras vem de famílias iletradas. Era como uma nova “sala de aula”, em que a leitura, a pesquisa, os jogos educativos aliados à vídeo-educação e à informática têm um papel fundamental para a rapidez dos tempos atuais.
O Estudo Dirigido destinava-se a todos os alunos, afastando-se da prática de revisão ou recuperação. A presença do conjunto da turma impedia que a frequência a estas salas fossem interpretadas como castigo. O trabalho no ED, como todos os setores do CIEP, estava inserido na proposta de avaliação continuada, o que excluía reprovação. A essência do ED era contribuir para a formação de futuros cidadãos, participantes, ativos, críticos e criativos.
Todos os alunos tinham 4 tempos por semana de Estudo Dirigido, com professor preparado especificamente para esta finalidade. O espaço era organizado para trabalho em grupo, com mesas arrumadas de forma que os alunos formassem conjuntos de quatro. Por meio de um sistema de rodízio, todas as turmas frequentavam suas duas salas ambientes a cada semana:
- Sala Prazer de Ler – com obras clássicas da literatura infantil entre fábulas, poesias, contos, cordel, livros infantis de autores brasileiros, totalizando cerca de 100 títulos. Funcionava como um ambiente que introduzia crianças ainda não alfabetizadas num espaço agradável propício à leitura;
- Sala Desafio de Pesquisar – um acervo de 100 títulos paradidáticos, substituindo com vantagens as enciclopédias, apresentava informações científicas de maneira contextualizada e em linguagem própria à infância. Possuía dicionários, mapas, globo terrestre, cartazes do mundo, do Brasil, do estado do Rio, do sistema solar e do corpo humano. Aí se encontravam jogos educativos para desenvolvimento do raciocínio lógico-matemático.
O trabalho no Estudo Dirigido era planejado para dois momentos, como ocorria em sala de aula. Um primeiro, que correspondia ao 1º., 2º. e 3º. anos de escolaridade, concentrava-se nas bases para o processo de alfabetização: intimidade com a língua escrita e estímulo à curiosidade e à vontade de aprender. O segundo momento, que correspondia aos 4º. e 5º. nos de escolaridade, desenvolvia atividades para enriquecimento e sistematização do conhecimento da língua e demais saberes.
O professor de Estudo Dirigido participava de planejamento em conjunto com o corpo pedagógico da escola, para desenvolverem atividades integradas com as atividades da sala de aula, da vídeo-educação, da biblioteca, da animação cultural, da educação física, da saúde e tudo mais que acontecesse na escola.