Uma escola revolucionária: comprometida com o povo

A expansão das atividades incluía horário noturno e finais de semana. No horário vespertino, jovens e adultos eram recebidos na Educação Juvenil, que oferecia oportunidades para complementar estudos interrompidos precocemente. Nos finais de semana, a escola era aberta à comunidade para a prática de esportes na quadra, sessões de cinema, reuniões, festas…

Os CIEPs eram escolas públicas no sentido mais pleno que o termo pode assumir: universais, abertaspara receber qualquer aluno, gratuitas na oferta de matrículas, pagas com o dinheiro que o estado obtém pela cobrança dos impostos; laica, por não ensinar nenhuma religião e acolher a todas, promovendo o convívio entre pessoas de diferentes credos, num exercício de tolerância e respeito.

O Programa do tempo integral reafirmava a crença na centralidade da escola transformada em CIEP, ou seja, lugar estratégico para realizar o trabalho educativo emancipatório que atenda às demandas socioculturais contemporâneas.

Uma das mudanças inerentes à concepção dos CIEPs é que sua organização não se baseia em turmas com um único professor que ensina todos os conteúdos a todos os alunos. Com diversos profissionais, contribuía-se para diferentes abordagens, leituras e práticas educativas variadas. Inclusive o banho diário torna-se um ato educativo, instrumento de valorização da autoestima da criança. Essa multiplicidade de práticas criava novas questões e desafios.

Os CIEPs surgiram como uma escola revolucionária em todos os sentidos, que atuaria como espaço privilegiado para o questionamento das desigualdades e luta para a construção de uma sociedade mais justa, inclusive através dos conteúdos ali ensinados. A seleção dos conhecimentos privilegiou, num primeiro momento, a abertura desta escola para o acesso aos saberes populares que, principalmente por meio da ação dos animadores culturais, seriam resgatados e introduzidos no currículo.

Operação cultural complexa, esse processo de trocas culturais entre diferentes sujeitos: alunos, pais, membros das comunidades, professores e animadores culturais, implicou disputas, resistências e apropriações diferenciadas. A (re)construção do currículo no âmbito da instituição, mantendo os princípios básicos do projeto de Darcy Ribeiro, foi e é um desafio a ser enfrentado de forma inovadora e corajosa.